Em muitos casos de infertilidade, a existe apenas uma dificuldade de ovulação, ou seja, não ocorre desenvolvimento e liberação do óvulo pelo ovário para ser fecundado pelo espermatozóide. Nesses casos, o tratamento consiste em utilizar medicações que estimulam o desenvolvimento do óvulo que será liberado pelo ovário. Isto pode ser obtido com o uso de medicações por via oral e/ou injetável, dependendo do caso.
Costumamos, ainda, fazer controles ultra-sonográficos para acompanhar o desenvolvimento do(s) folículo(s) e orientar que o casal mantenha relação sexual num momento favorável à concepção. É o que se costuma chamar de “coito programado”.
Neste tipo de tratamento, em linhas gerais, utilizamos 2 tipos de medicações: uma para estimular o crescimento dos folículos, que são o local onde os óvulos se desenvolvem e outra para fazer com que o ovário libere este óvulo, permitindo sua fertilização pelo espermatozóide. Havendo atraso menstrual, é solicitado o teste de gravidez.
- Como é feito o acompanhamento deste tipo de tratamento?
Usamos medicações que levam ao desenvolvimento dos folículos para que o ovário possa liberar um ou mais óvulos: é a indução da ovulação. Existem diferentes tipos de drogas para este fim. O citrato de clomifeno é usado por via oral.
As medicações que contêm FSH são injetáveis. A droga a ser utilizada e os esquemas de administração das mesmas podem variar bastante de acordo com o caso. Durante a utilização das medicações, realizamos exames de ultra-sonografia para acompanhar o desenvolvimento dos folículos.
Estes aparecem da imagem do ultra-som como estruturas redondas e pretas dentro do ovário. São pretas porque contêm líquido (que sempre aparece preto no ultra-som). Importante lembrar que o que vemos aos ultra-som são apenas os folículos, pois os óvulos não podem ser vistos sem o auxílio de um microscópio.
Dentro de cada folículo, um óvulo se desenvolve. De acordo com o ritmo de crescimento e o tamanho dos folículos, conseguimos estimar quais são aqueles que deverão crescer até o ponto de liberar o óvulo, ou seja, aqueles que resultarão em ovulação. Vários folículos podem começar a se desenvolver, mas somente os maiores ovularão.
Quando os folículos atingem determinado tamanho, podemos induzir a maturação final dos óvulos com outra medicação (em geral, preparados que contêm HCG, pois o HCG é muito parecido com o LH e consegue mimetizar o pico hormonal do LH, que resulta na maturação final e liberação do óvulo). Após a aplicação do hCG, a ovulação deverá ocorrer cerca de 36 horas após. Orientamos, então, que o casal tenha relação sexual perto do momento esperado para a ovulação.
O intuito é fazer com o que os espermatozóides entrem em contato com o óvulo liberado pelo ovário. Isto é o que chamamos de indução de ovulação para coito programado. É importante lembrar que, caso muitos folículos se desenvolvam ao mesmo tempo neste tipo de tratamento, o ciclo deverá ser cancelado, para que não ocorra uma gestação múltipla com 4 ou 5 embriões, por exemplo. Este é outro motivo pelo qual os controles ultra-sonográficos são importantes.
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